O que dizer da publicação da mensagem apócrifa recebida por Hernani T. Sant’Anna, no Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira, em 14 de junho de 1979? Como puderam cometer o acinte de apresentá-la? Quem deixa de se indignar ante aquele Kardec arrependido, à beira da angústia, sancionando o expansionismo rustenista da F.E.B. em completo detrimento do seu próprio trabalho? O tal Kardec chega a afirmar que “se trata agora de nova e verdadeira entrega do Paracleto a todos os povos da Terra”.
Incrível! Uma nova e, desta vez, verdadeira entrega do Paracleto. E a codificação kardeciana? Um falso Consolador decerto. Daí, segundo ainda o tal Kardec em ato de contrição, a necessidade — pasmem — de “que tudo fosse revisto e consolidado; aplainadas, com todo o cuidado, arestas e asperezas; corrigidas algumas omissões; podados certos excessos de interveniência humana; esclarecidas determinadas dúvidas de interpretação”.[1]
Lamentavelmente, fatos assim não são raros, haja vista as “instruções de Allan Kardec aos espíritas do Brasil”, do livro A Prece, felizmente, não mais republicadas; as supostas comunicações de Kardec no “Cenáculo” da F.E.B. em Brasília, e quejandos. É de se sentir saudades da visão otimista do notável Ernesto Bozzano, em carta a Rango D´Aragona, de 18 de fevereiro de 1939:
Voltando à figura do Cristo, que aí [no Brasil] querem rebaixar às fantasias de um desconhecido como J.-B. Roustaing, se você leu minha mensagem ao Congresso Espiritualista de Barcelona, constatará novamente o meu pensamento. O maior profeta de Deus, ou o maior iniciado, como se queira chamá-lo, ele ficará como luz e guia do nosso planeta. [...] O caso de J.-B. Roustaing, sob o título absoluto de Revelação da Revelação, é um fato dogmático, feliz e universalmente liquidado.[2]